Área de Trabalho
Dados de Resina
PA6

Poliamida 6 (Nylon)

PA6·Poliamidas·Semicristalino

O nylon 6 (PA6) é o plástico de engenharia mais versátil para peças mecânicas: engrenagens, rolamentos, buchas, fixadores e qualquer coisa que se mova, atrite ou suporte carga. Excelente resistência ao desgaste, autolubrificação natural, tenacidade superior e custo razoável o tornam o material padrão quando uma peça precisa durar milhões de ciclos sem quebrar — desde a indústria automotiva até eletrodomésticos passando por têxteis técnicos e hardware industrial.

Mas tem um calcanhar de Aquiles: absorve água do ar (até 2–3% na saturação), e isso muda suas propriedades e dimensões. A umidade o torna mais tenaz mas menos rígido; a secagem mal feita o degrada catastroficamente por hidrólise durante a injeção. Aqui compilamos as faixas referenciais da PDS, mais as perguntas que aparecem repetidamente na planta: como secá-lo, quando convém PA6 vs PA66, quando mudar para POM, o que faz a fibra de vidro (PA6-GF) e por que as engrenagens novas rangem 24 h até se aclimatarem.

Compartilhe sua experiência nos comentários — as faixas variam por fabricante, grau (puro, GF, lubrificado, FR) e umidade ambiente, e a discussão coletiva é o que nos tira dos apertos no chão de fábrica.

As faixas apresentadas nestas tabelas foram compiladas pela equipe da MVPS a partir de diversas cartas de parâmetros e da literatura, integrando os limites inferiores e superiores para cada tipo de material.

As informações devem ser cuidadosamente revisadas na elaboração dos processos de moldagem por injeção. As faixas finais e as tolerâncias de processamento são responsabilidade do engenheiro responsável.

Estas faixas não são recomendadas para desenvolver tolerâncias de processo específicas. A MVPS sempre recomenda solicitar e consultar a ficha técnica do fornecedor.

Propriedades Gerais

Estrutura QuímicaSemicristalino
Densidade (Peso Específico)1,13:1
Relação L/D18 – 22:1
Razão de Compressão2 – 2,5:1
Fator de Tonelagem6,18 – 7,72kN/cm²
Difusividade Térmica0,151mm²/s
Taxa de Cisalhamento Máx.60.0001/s
Contração0,5 – 1,5%
Moído (Regrind)30%
Deflexão Térmica (HDT) @ 1,82 MPa140°C
Transição Vítrea (Tg) @ 10°C/min60°C
Amolecimento Vicat @ 50N180°C

Secagem

Temperatura de Secagem74 – 99°C
Tempo de Secagem6 – 16h
Umidade Recomendada0,2%
Tipo de Secador RecomendadoDessecante
Ponto de Orvalho-40°C

Temperaturas

Massa Fundida (Melt)232 – 288°C
Bico232 – 288°C
Frontal227 – 282°C
Central216 – 277°C
Traseira204 – 260°C
Desmoldagem96 – 102°C
Molde (Resfriamento)79 – 91°C
Garganta de Alimentação10 – 49°C

Processamento

Contrapressão3,4 – 6,9bar
Velocidade de Rotação50 – 80RPM
Velocidade de InjeçãoBaixa – Média
Ocupação do Cilindro20 – 70%
Pressão de Injeção750 – 1.250Pbar
Pressão de Recalque188 – 1.000Pbar
Colchão3,2 – 6,4mm

Molde

Diâmetro do Canal3,05 – 6,1mm
Diâmetro da Entrada0,76 – 1,52mm
Área da Entrada0,46 – 1,82mm²
Espessura de Parede0,76 – 4,57mm

Saídas de Gás

Profundidade (Vent Depth)0,0203 – 0,0406mm
Comprimento (Vent Land)0,508 – 1,02mm
Largura (Vent / Clearance)3,05 – 10,2mm
Alívio (Relief Channel)0,127 – 0,254mm

Perguntas frequentes

O PA6 é um termoplástico semi-cristalino de engenharia obtido por polimerização por abertura de anel da caprolactama (um monômero cíclico de 6 carbonos). Resultado: cadeia linear com grupos amida (–CO–NH–) que formam pontes de hidrogênio inter-cadeia — essas pontes são a fonte de sua tenacidade, resistência ao desgaste e… sua afinidade pela água. Densidade ~1,13 g/cm³ (1,35 com 30% de fibra de vidro).
Os grupos amida atraem e se ligam com moléculas de água. Em equilíbrio a 50% UR absorve ~3%; a 100% UR, até 9–10% de seu peso. A umidade plastifica o material: uma peça seca é rígida e frágil, uma peça condicionada é tenaz e dúctil. Implicações: (1) a peça cresce dimensionalmente ~0,6% por 1% de umidade absorvida, (2) a rigidez cai 30–50% ao passar de seco a condicionado, (3) o impacto sobe significativamente. Projete pensando no estado condicionado (em equilíbrio com o ambiente de uso), não no estado seco recém-moldado.
A 230–260°C de injeção, a umidade absorvida (>0,2%) reage com a cadeia polimérica por hidrólise, quebrando-a e baixando o peso molecular. Resultado: perda de 30% em resistência à tração, 15–20% em impacto, manchas prateadas, bolhas e peças frágeis. Sempre desumidificador: 80°C por 4–6 h, dew point ≤–30°C, umidade alvo ≤0,2%. Se o material veio ready to mold em sacos selados com dessecante e você abriu recém para uso, pode pular a secagem por turno curto; se está aberto >2 h em planta, secagem obrigatória.
PA66 ganha em: temperatura de uso (HDT ~255°C vs 220°C do PA6), rigidez, resistência a creep sob carga sustentada, melhor estabilidade dimensional (absorve menos umidade), aplicações sob capô automotivo. PA6 ganha em: impacto e tenacidade (especialmente a baixa temperatura), processamento mais fácil (funde a 220°C vs 260°C), melhor acabamento superficial, custo (~15–20% mais barato). Regra prática: para engrenagens e rolamentos submetidos a temperatura alta → PA66. Para peças mecânicas a temperatura ambiente com impactos → PA6. Para têxteis técnicos (corda, tecido) → PA6 quase sempre.
Depende do ambiente: POM ganha em estabilidade dimensional (absorve <0,2% vs 3% do PA6), precisão, dry-running (autolubrificação a baixa velocidade), resistência química mais ampla. PA6 ganha em impacto, resistência ao desgaste sob carga alta, tolerância a temperaturas contínuas mais altas (90 vs 80°C), custo. Regra prática: se a engrenagem vive em ambiente seco a velocidade baixa → POM. Se vê cargas altas, impactos ou umidade variável → PA6 (especialmente PA6-GF). Para precisão submilimétrica → POM. Para engrenagens grandes industriais → PA6.
Carga típica: 15%, 25%, 30%, 50% em peso. Cada 10% de GF: ~30% mais rigidez, ~40% mais resistência à tração, ~25% menos encolhimento (de 1,5–2% baixa a 0,3–0,8%), melhor estabilidade dimensional sob umidade. Contras: perde tenacidade, ataca filetes do parafuso (aumente L/D e considere parafuso bimetálico), superfície com fibras visíveis se o molde não está bem quente (>80°C). Para peças estruturais (carcaças, suportes, brackets) → 30% GF é o sweet spot. Para engrenagens precisas → considere GF + lubrificante interno (PTFE, MoS₂).
Encolhimento típico 1,5–2% sem carga, 0,3–0,8% com 30% GF. Mas há um processo adicional: pós-moldagem, a peça absorve umidade do ambiente e cresce dimensionalmente 0,5–1% nas primeiras 48–72 h até alcançar o equilíbrio. As engrenagens rangem porque saíram do molde subdimensionadas (a seco) e ainda não se aclimataram ao ambiente final. Por isso muitas OEMs especificam condicionamento prévio: submergir a peça em água a 80°C por 2–4 h, ou deixá-la 48 h a 50% UR antes de medir/usar.
A PDS marca 41–79°C sem carga, 80–100°C para PA6-GF. Mais quente (70–80°C sem GF, 90–100°C com GF) = maior cristalinidade (mais rigidez e estabilidade dimensional final), melhor superfície, melhor reprodução de detalhe. Mais frio = ciclo mais curto mas peça com cristalinidade incompleta que vai cristalizar lentamente em serviço (= dimensões que mudam com o tempo). Para engrenagens e peças precisas: sempre ≥80°C.
A PDS marca 25% como máximo. Cada reprocesso degrada um pouco o peso molecular e aumenta a sensibilidade à umidade. Para peças estruturais sob carga (engrenagens, brackets) muitas OEMs limitam a 10% ou proíbem regrind. O truque com PA6 reciclado: sempre re-secá-lo antes de cada ciclo — o regrind absorve umidade do ar mais rápido entre operações que o virgem.
Não por padrão — o PA6 puro amarela e perde tenacidade ao UV em poucos meses. Para uso exterior precisa de graus com estabilizadores UV (HALS + antioxidantes UV) ou o clássico PA6 com negro de fumo, que é o mais resistente ao UV mas perde a opção de cor. Para aplicações sob capô (alta temperatura + possível UV indireto) → PA66-GF com estabilização térmica. Para ferramentas de jardim ou conectores elétricos exteriores → PA6 preto sempre.

Fontes

Discussão (0)